Domingo, Julho 12, 2009

Amor maduro

O próximo livro de Talese será sobre seu casamento de 50 anos com Nan Talese, respeitável editora americana. A ideia de escrever sobre o assunto deu-se após as críticas recebidas quando publicou “A mulher do próximo” – em que retrata a revolução sexual na década de 70. Para uma densa apuração, mais do que entrevistas, Talese mergulhou no tema, participou de orgias e swings, frequentou e até gerenciou prostíbulos. Ossos do ofício de um escritor de não ficção.

Questionado sobre ter humilhado publicamente a esposa ao revelar publicamente sua infidelidade, ele concordou cabisbaixo e com sinceridade, porém justificou com a sabedoria de seus 77 anos. Para ele, casamento não é sexo, ou com quem você dorme. O mais importante em um casamento é o respeito. Para O Globo, ele disse ainda que deve-se estar casado com a pessoa com quem quer tomar café da manhã e não com quem quer ir pra cama. Qualquer imbecil pode dizer “vamos para cama”, mas tomar café...
Acho que em todos esses anos, Talese só tomou café com Nan.

Em entrevista ao Globo, Nan disse que nunca se sentiu humilhada, pois Talese sempre foi sincero e ela sempre respeitou sua individualidade e seu ofício de escritor.

Talese e o diploma de jornalismo

Eu meio que concordo [sobre o fim da obrigatoriedade]. Um curso de jornalismo não o torna jornalista. O que o faz jornalista é: um, curiosidade; dois, paciência para ouvir as pessoas, entender como elas pensam; três, apurar os dados certos. E número quatro, escrever. A escrita jornalística deve ser como a de um romance exceto que cada palavra é verdade. Na universidade, você não aprende isso.

Gay Talese, ícone do jornalismo, em entrevista para O Globo.

Gay Talese na Flip

Qualquer jornalista quer ser Gay Talese quando crescer. Jornalista/escritor suas reportagens se perpetuam em livros, e confundem-se com literatura, só que nada é ficcional. Consagrado por livros como "Fama e anonimato", coletânia de perfis de personalidades e desconhecidos de Nova Iorque, e "A mulher do próximo", um retrato íntimo sobre a revolução sexual nos Estados Unidos, Talese é o pai do jornalismo literário, aquele que todos sonham em fazer.

Entitula-se um rebelde do jornalismo. Começou a carreira como repórter de Esportes do NYT e ao cobrir uma luta de boxe, em vez de retratar a luta em si, contou a história da mãe do pugilista que chorava a cada golpe que seu filho levava. Um misto de sensibilidade, olhar apurado, e curiosidade aguçada.

Muitas de suas matérias não foram publicadas. Não havia espaço para isso em um veículo de hard news. E por isso, Talese defende um jeito de fazer jornalismo que ouça e conte as histórias das pessoas comuns, em vez de reproduzir pronunciamentos públicos. Em vez de correspondentes em Washignton, ele prefere ouvir estão como as decisões do governo estão afetando a vida das pessoas ao redor.

Ele tomou paixão pelo ofício de jornalista quando passava as tardes no atelier de seu pai, um alfaiate de New Jersey, e gostava de conhecer as histórias dos clientes. Assim, teve curiosidade e apetite de conhecer mais e mais histórias, e escrever não ficção como ficção.

Para contar essas histórias, ele faz muito mais que entrevistas. Ele mergulha e se envolve na história. Ao escrever "A mulher do próximo" gerenciou um protíbulo para entender toda a lógica daquele mundo tão diferente de perto. Um jornalismo necessário, mas de alto preço.

Agora, escreve um livro sobre seu único casamento de mais de 50 anos. Aos 77 anos, aquele senhor elegante de chapéu, que eu vi na praça de braço dado com a esposa, está com um apetite incrivel para desafios e isso dá um ânimo para quem o ouve.

Um outro Chico



Sobre a mesa “Sequências brasileiras” ou a mesa do Chico na Flip 2009

O poeta é um fingidor, mesmo.
Ao ser perguntado sobre as semelhanças entre Budapeste e Leite Derramado, seus dois últimos livros, Chico diz que em ambos fala sobre coisas completamente desconhecidas a ele. Nunca foi a Budapeste, e nunca viveu em 1930 como o personagem de Leite Derramado. E o que eu admiro é que ele ainda narra tudo em primeira pessoa, com a naturalidade de outrar-se impressionante, não?

Chico é fofo! Apesar de todos os flashes, fãs, jornalistas e alvoroço que o esperavam, ele se comportava com naturalidade na mesa. Apresentou mais bom-humor do que sua usual timidez. Teve ótimas tiradas, como “Imaginação não existe. Estava tudo no Google. No meu e no seu" (referindo-se ao livro “Órfãos do Eldorado” de Milton Hatoum, escritor que dividia a discussão com ele). Mas a melhor foi quando o mediador disse que Chico daria poucos autógrafos. E ele “quem disse?” Euforia geral.

Chico disse que acha escrever muito chato. Fica anos sem escrever nada, porque fica um tanto cansado e enjoado do ofício da literatura. E que escreve pelo prazer de ler. Alguns escritores na Flip disseram não se importar tanto com o leitor, que escrevem para si, o que acho muito esnobe.

Esnobou seu próprio livro, que é fininho e com tanto espaçamento e repetições que poderia ter 20 páginas apenas. Elogiou o de Hatoum de forma bem humorada. E ainda deu voz aos manifestantes da região – que discutiam a questão fundiária. E que voz. Euforia novamente.

PS: Órfãos do Eldorado parece ser um ótimo livro visto o emocionante trecho lido pelo autor durante a mesa de debate.

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Meninos, eu vi!

Já posso me imaginar sentada em minha cadeira de balanço, contando aos meus lindos netinhos:

"Meninos, eu vi. Eu estava no Pacaembu, e vi Ronaldo fazer 3 lindos gols em uma única partida contra o Fluminense. Foi no dia 8 de julho de 2009. Lembro até hoje o quanto me emocionei. E isso foi numa época em que não chamavam mais de Fenomeno, mas de Gordo. E ele foi lá, sob meus olhos, e mandou 3 pra dentro, mostrando que Gordo corre, dribla (q drible!), e finaliza.
Meninos, ele é o cara! O melhor que já vi e com a história mais impressionante".
Nem acredito que eu tava lá, pra ver o Gordo, justo na melhor partida que ele já teve no Corinthians.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Carta aberta aos covardes

Dia desses, uma amiga disse “Já notou como suas histórias estão repetitivas?”. A história recorente a que se refere é conhecer um rapaz interessante numa balada, bar, ou amigo de amigo, sair com ele algumas vezes, ir a cinema, restaurante, tomar uns chopps, e depois, ao menor sinal de interesse meu, um sumiço ou afastamento repentino dele.

Já pensei ter algum problema: ser ruim de cama, ter mau hálito, ser chata, ou coisa do tipo. Mas notei que toda vez que estou em um grupo com mais de uma mulher solteira a minha história recorrente repete-se com elas também. E estou falando de mulheres interessantíssimas, bonitas, inteligentes, simpáticas, bem-humoradas, bem-sucedidas, jovens, etc.

Então li a “Carta aberta aos covardes” que Xico Sá escreveu. E ora, o problema não é meu, nem dessas mulheres com quem convivo, mas sim desses rascunhos de homens – uns FROUXOS e INDELICADOS. Abaixo está a carta que Xico pede a ajuda das amigas para divulgar aos homens.
“Amigos, chega dessa pasmaceira, chega dessa eterna covardia amorosa. Amigos, se vocês soubessem o que elas andam falando por aí. Horrores ao nosso respeito. O pior é que elas estão cobertas de razão. Caros, estamos sendo tachados simplesmente de frouxos, medrosos, ensaios de macho, rascunhos de homens, além de tolos, como quase sempre somos.

Prestem atenção, amigos, faz sentido o que elas dizem. A maioria de nós anda correndo delas diante do menor sinal de vínculo, diante da menor intimidade, logo após a primeira ou segunda manhã de sexo. O que é isso companheiros? Fugir à melhor das lutas?

Nem vou falar na clássica falta de educação do dia seguinte. Ora, mandem nem que seja uma mensagem de texto delicada, seus preguiçosos, seus ordinários. O que custa um telefonema gentil, queiramos ou não dar sequência à historia?!

Ora, depois daquela intimidade toda! Tudo bem que não mandemos flores, mas um mimo em palavra, nem que seja um lacônico: “Foi ótimo, noite linda!”.

Amigos, estamos errados quando pensamos que elas querem urgentemente nos levar ao altar ou juntar os trapos. Em muitas vezes, elas querem apenas o que nós também queremos: uma bela noitada! E, claro, delicadeza. (
disse tudo: DELICADEZA!!)

Sim, muitas querem um bom relacionamento, uma história com firmes laços afetivos. Primeiro que esse desejo é legítimo, lindo, está longe de ser um crime, e além do mais pode ser ótimo para todos nós.

Enquanto permanecermos com esse medinho de homem, nesse eterno e repetido “estou confuso” –“eu tô cafuso”, como dizia Didi Mocó!-, a vida passa e perdemos mil oportunidades de viver, no mínimo, bons momentos do gozo e felicidade possível. Afinal de contas para que estamos sobre a terra, apenas para morrer de trabalhar e enfartar com a final do campeonato?

Não há decepção maior no mundo do que a nossa covardia em fugir do que poderia representar os bons momentos da felicidade possível, repito, não a felicidade utópica, que é bem polêmica, mas a felicidade que escapa covardemente entre nossos dedos sujos de caneta Bic a toda hora. Acordemos, para Jesus, amigos homens, levanta-te e anda condenado!

Rapazes, o amor acaba, o amor acaba em qualquer esquina, de qualquer estação, depois do teatro, a qualquer momento, como dizia Paulo Mendes Campos, mas ter medo de enfrentá-lo é ir desta para a outra mascando o jiló do desprazer e da falta de apetite na vida. Falta de vergonha na cara e de se permitir ser chamado de homem para valer e de verdade”.

Cachaça


Querido,

Diz a música que patrão, mulher e cachaça em qualquer lugar se acha. Mas há mulheres e cachaças especiais. Gabriela é uma cachaça especial fabricada em Paraty. É deliciosa, e diferente das outras não amarga ao tragar. É como uma mulher especial, doce e suave. Mas não se engane, a danada é forte.

Flip 2009



Mais uma vez, fui à Flip. E como é bom!

As noites de julho em Paraty são frescas, a Lua é sempre cheia durante o evento, e contrariando o Climatempo, faz sol. Daí, a gente foge para a nossa ilha secreta.


Não poderia haver melhor cidade para sediar o principal evento de literatura do país. O lugar é mágico, é minha Passagarda. Não há carros, nem pressa, e as construções remetem a um tempo de delicadeza, ou a cenário de livro.


E após alguns dias perambulando pelas ruas de pedras, cheias de pessoas apaixonadas pelas letras, e ouvindo palavras encantadas de grandes autores, sinto-me a alguns passos do chão.

Paraty, minha Passagarda
A nossa ilha secreta

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Cars, Sex and the City

Sou fã do seriado Sex and the City. Impossível não se identificar com a crônica sobre as mulheres atuais, as reflexões sobre relacionamentos, amor e sexo, e não rir de nossas próprias angústias. Não fosse tudo isso há outro motivo para eu adorar o seriado Sex and the City: a ausência de carros.

As personagens centrais – Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte - são inteligentes, independentes, bem sucedidas, pegadoras e .... nenhuma delas tem carro. A maioria dos casinhos das heroínas também não saem de carro. Costumeiramente, eles a levam para jantar e depois seguem até o apartamento das heroínas a pé ou de táxi.

Em São Paulo, vivemos em um apocalipse motorizado irracional. Há um excesso de carros por toda parte, todas as horas e muitas vezes, porque o paulistano sofre de uma dependência burra pelo automóvel que só gera mais e mais transito.

Sei que é difícil viver sem carro em São Paulo. Em Nova Iorque - cenário do seriado- andar de táxi é barato, mas já ouvi renomados economistas brasileiros afirmarem que financeiramente é mais vantajoso gastar R$40 por dia em táxi, a arcar com as despesas como estacionamento, gasolina, IPVA, seguro e manutenção do carro.

Mas carro dá status e principalmente os rapazes tem fixação pelo objeto, como se fosse um item essencial para “pegar” mulher. Que bom que o seriado mostra homens na faixa dos 30/40, bem sucedidos, inteligentes, pegadores, e que não precisam de carro para dormir com mulheres interessantes.

Ps: para quem adora a série como eu, faça aqui o teste para descobrir com qual personagem você se parece.

Terça-feira, Junho 23, 2009

Não criemos pânico

Na semana passada, os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram que diploma de jornalismo não é obrigatório para o exercício da profissão. (Já comentei aqui, aqui, aqui e aqui).
O que acabou foi obrigatoriedade do diploma, isto é, a reserva de mercado, não acabou a necessidade de formação do jornalista. Os cursos de graduação e pós-graduação continuam a existir nos Estados Unidos, Alemanha e outros países que não exigem diploma. O mesmo deve ocorrer no Brasil.

Nenhum curso será fechado ou perderá sua validade. O curso de jornalismo continua a válido, porque o que sempre valeu foi o conhecimento que a academia oferece, tal qual numa faculdade de administração. Qualquer um pode ser empresário sem a exigência de diploma, mas é claro que a faculdade ajuda muito a conhecer técnicas e caminhos para ser um melhor administrador.

Quem estudar mais, praticar mais, se aprofundar mais se sairá melhor sempre. E aposto que as empresas jornalistícas irão preferir os mais bem preparados - só que agora com a vantagem de não poder encontrá-los em diversos cursos.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Não à homofobia

A Parada Gay de São Paulo bate recorde de público, e traz visibilidade a projetos de lei a favor dos direitos homossexuais que continuam emperrados no Congresso. O PLC 122/06 que torna crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero ainda aguarda aprovação do Senado. Para que esse projeto não leve mais longos anos de tramitação (já foram 3 desde sua criação), convido a todos de bom senso participarem do abaixo-assinado para aprovação dessa medida. https://www.naohomofobia.com.br/home/index.php


Atualmente, a Lei 7716 já pune com reclusão e multa a discriminação de raça, cor, etnia, religião, nacionalidade, sexo e gênero, mas nada diz sobre a orientação sexual. Nada mais justo e lógico que criminalizar a homofobia também. Se aprovado, o projeto prevê punições para agressões fisicas e verbais à homossexuais, discriminação no atendimento à estabelecimentos públicos, escolas, e no local de trabalho. Também será crime proibir a expressão de afetividade de cidadãos homossexuais e punirá religiosos que fizerem pregações homofobicas em programas de rádio e TV - assim como não pode ser feito ataques públicos contra religiões, ou etnias.

Entender, gostar, considerar bom e certo, é uma opção. Mas, respeito é um direito e um dever de qualquer cidadão. E vale a pena lutar por ele.
Foto: durante a caminha lésbica em São Paulo, no último sábado.
Créditos: Fernando Dantas / Diário de São Paulo

Domingo, Junho 14, 2009

das Bancas

Sou fã do blog dasBancas - em que Leandro, Greg e Thiago Muniz fazem críticas às revistas e sempre nos adiantam algumas capas. Eles escrevem de um jeito leve e engraçado, e com uma visão crítica sobre fotografia, design, editoriais, e todo editor que se preze devia ler.

Recomendo demais à leitura. Ainda mais ag0ra, que tem um post meu lá sobre a revista Serafina, que circula no primeiro domingo do mês na Folha de São Paulo.

Sábado, Junho 13, 2009

Pequenos amores

Alaor é o escultor da cidade de Paraíso (não é a novela, ta). Ele faz as mais perfeitas esculturas e toda boa casa da cidade tem uma de suas mulheres no jardim (sua especialidades são as imitações de Vênus de Milo).

Supreendentemente, Alaor é casado com Gioconda, uma senhora de corpo desforme e rosto feíssimo. Seu nariz é enorme, seus olhos estrábicos, a boca torta, as orelhas de abano e o queixo quase inexistente.

Muitos perguntam como Alaor que faz esculturas tão belas, conhece tão bem as leis da harmonia e das formas, pode amar Gioconda.

Alaor não entende o porquê dessas dúvidas e a todos responde que Gioconda tem as formas mais inéditas e originais que já viu.

Do livro “Pequenos Amores” de José Roberto Torrero.

Silencioso desespero

Só agora assisti a Revolutionary Road (Foi Apenas um Sonho), de Sam Mendes, com o brilhante, afinado e agora maduro casal Leo Di Caprio e Kate Winslet. O filme tem uma produção impecável e um roteiro de diálogos riquíssimos que conta uma história universal sobre a fragilidade humana e o delta entre o que somos e o que queremos ser.

April e Frank formam um casal dos anos 50, apaixonado, moderno, bonito e talentoso – ela quer ser atriz, ele escritor, mas na realidade, não têm tanto talento assim. Frustram-se com isso e justificam “desperdiçarem seus talentos” devido ao alto preço da construção de um lar após a gravidez de April.

Eles mudam-se do centro de Nova York para uma bela casa no subúrbio, aquela em que os vizinhos se dão por contentes e ele arruma um emprego mediano na Knox Business Machine. Após sete anos de casamento, estão entediados, frustrados, e não aceitam serem iguais aos vizinhos.

Ela, a heroína trágica do filme, traz o turn point, ao propor mudarem para Paris. Mais do que entediada, April está desesperada e tem coragem de abrir mão de sua vida medíocre e confortável e tentar de alguma forma (que não sabe ao certo qual) ser aquilo que esperava ser. Ele fica seduzido com a proposta de April, mas está dividido entre a aventura considerada imatura por todos, e a segurança que tem. April e Frank são quase um só – aquela metade da gente inquieta e corajosa, que quer fugir (april), e a parte que prefere não arriscar (frank).

A grande felicidade do casal não está no conforto do subúrbio, tampouco na aventura em Paris, mas no verão em que planejam a viagem com esperança de terem uma nova chance de ser aquilo que desejavam ser. Minha frase favorita é de John – o vizinho louco que fala as verdades – ao falar que Frank não tem coragem de tocar adiante um projeto porque tem medo de descobrir que não serve para nada. Confesso esse medo.

Adoro quando Di Caprio propõe à esposa procurar um terapeuta para curar sua insatisfação. Talvez ele esteja certo, a felicidade está em nós e não em um lugar. Mas talvez ela esteja certa e o melhor é seguir mesmo que às escuras seu sonho, e não pagar um psicólogo para se conformar com a vida que leva.

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Fofo

Obama curva-se para o menino negro sentir que seu cabelo é igual ao dele. Óhhh!!!
Robei do Circuito Integrado.

Terça-feira, Maio 19, 2009

Lista de desejos

A Jessica me mandou esse Meme - correntes de blogs - pra que a gente diga nossa lista de desejos. Eu não gosto de Memes, mas vai q algo muito ruim aconteça, achei melhor participar. Não vou encaminhar esse Meme para outros blogueiros, porque não gosto de forçar nada, mas fiquem a vontade para publicar sua lista de desejos. Aí vai a minha. Genio, se você passar por aqui, já sabe:

-> Lidar melhor com dinheiro e um acréscimo na minha conta seria bem-vindo;
-> Eu quero viajar muito e conhecer os 5 continentes;
-> Eu quero ser mais organizada, não perder papeis importantes, pagar as contas em dia, saber onde está cada coisa;
-> Eu quero um carro que faça baliza automaticamente;
-> Eu quero ter a experiência de morar em outro país;
-> Eu quero me apaixonar de novo (se não fosse pedir demais, seu Genio, essa paixão poderia se transformasse em amor e não acabar nunca);
-> Eu quero que minha família viva com saúde pra sempre;
-> Eu quero que o Corinthians ganhe a Libertadores no ano do centenário e com o Fenomeno em campo;
-> Eu quero ver um gol do Gordo ao vivo e contar para os meus netos (logo, ser mãe e avó também é um desejo);
-> Eu quero ter uma camera fotografica sinistra e habilidade pra brincar com ela;
-> Eu quero mergulhar;
-> Eu quero experimentar morar sozinha em algum momento;
-> Eu quero que respeito seja item de fábrica dos seres humanos;
-> Eu queria ter menos sono;
-> Eu queria ter vista para o mar e quintal;

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Mulheres perfeitas

Tenho uma amiga linda, corpo de bailarina, toda bem cuidada, inteligentíssima, querida e bem sucedida. Dias desses, ela me conta que irá aproveitar as férias e alguma economia para fazer uma cirurgia plástica no nariz – que para mim, parece perfeito. Ela tenta me mostrar que não é, que tem uma curva acentuada, diz que sempre quis consertar isso e que sua irmã – a encarnação da Barbie - também fez uma cirurgia e ficou ainda mais deslumbrante.

Na hora fui contra e tentei encontrar outras pessoas para me ajudar a persuadi-la de que ela não precisa gastar um centavo nessa cirurgia. Argumentei que a vaidade é importante para que a gente se cuide, tenha uma alimentação regrada, se exercite, ter cabelos e pele hidratados, mas plástica não é um cuidado, mas um reparo rápido e certeiro.

Depois, lembrei de meia dúzia de conhecidas com menos de 30 anos que já apelaram para o bisturi. As cirugias hoje estão mais seguras, práticas e baratas, quase tanto quanto trocar a cor do cabelo. Ora, nunca fui contra alguém tinge o cabelo (e isso também não é se cuidar), então porque seria contra a plástica? Daí achei que pudesse ser um pouco de dor de cotovelo minha, já que meu nariz é o triplo do dela e a plástica está longe de meus planos.

Não sei sou contra a plástica em jovens, mas o que me incomoda muito é essa busca pela perfeição. Todo mundo vem ao mundo com pé torto, ou nariz grande, ou peito pequeno, e é isso que faz a gente ser único e reconhecível sem precisar de biometria. Mas parece que todo mundo está comprando a mesma cara e corpo de uma prateleira. Basta ir a uma dessas baladas da moda, para ver que encontrar diferenças entre as garotas da fila parece tão dificil quanto um jogo de 7 erros. (Eu acho isso de uma chatice absurda, daquelas que dá preguiça do mundo).

Mas pior que essa uniformização de gente, que me faz lembrar o filme Mulheres Perfeitas, é o Dr. Hollywood e seus colegas terem criado uma geração de frustrados, por sempre buscar essa perfeição que nunca vem.

E por que a gente quer ser perfeito? A única resposta que me vem é à mente é para sermos mais amados – seja pelo namorado(a), grupo de amigos, ou por nós mesmo na frente do espelho. Uma pena a gente precisar desses artificios para sermos amados, não? E será que esses artificios funcionam? Temo que não e isso só nos torne ainda mais frustrados.

Quarta-feira, Maio 06, 2009

Família alternativa

Seria uma boa história para ter contato no meu radiodocumentário que fiz para o TCC na Faculdade de Jornalismo sobre Famílias Alternaltivas. Me arrepiei ao ler a matéria. Bonita e curiosa história.


"Munira Khalil El Ourra não vai dar à luz, mas é mãe de duas crianças que vão nascer até a primeira semana de maio. Quem está na 31ª semana de gestação é sua companheira, Adriana Tito Maciel. A barriga é de Adriana. Os óvulos fecundados que grudaram no útero dela pertenciam a Munira. Os bebês já têm nome: Eduardo e Ana Luísa. Serão paridos e amamentados por Adriana, de pele marrom e cabelo que nasce crespo. Mas terão a cara de Munira, branquinha e de cabelo liso.

Para a lei, mãe biológica é quem carrega a criança no ventre. Mas um exame de DNA mostraria o contrário. Nem Adriana nem Munira pretendem disputar na Justiça a guarda das crianças. O que elas querem é sair da maternidade juntas, com um documento que permita registrar as crianças no cartório com o sobrenome de cada uma e o nome das duas mães na certidão de nascimento. Como qualquer família normal".

Mais na Época - aqui

Obs: Os gêmeos já nasceram e Munira teve direito à licença maternidade de 4 meses, mesmo sem amamentar e gerir as crianças.

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Um diploma na mão e uma quarterlife crisis na cabeça


Não cheguei aos 30 e aquela fatídica crise do "não dei certo". Não ter "dar certo" aos 25 não é motivo de crise, já que ainda temos alguns anos para isso. Mas vivemos a crise dos 25 - que a "Eye Weekly" descreve nessa matéria e explica minha angústia depois de finalmente decidir buscar meu diploma.

No cinema, a Scartlett Johassonn personifica o "Quarterlife Crisis", em pelo menos 3 filmes: Vicky Cristina Barcelona, Lost in Translation, e Diário de uma babá (excelentes!). Em todos, ela é graduada, classe média, vive em cidade grande, e está perdida, sem saber como irá "dar certo", qual seu talento, o que irá fazer com aquele diploma que não significa certeza alguma para ela.

As protagonistas dos filmes, assim como eu, estão entediadas, solitárias, confusas e ansiosas sobre suas carreiras, relacionamentos e direção. Por outro lado, temos a beleza invejável da juventude e uma liberdade sem paralelos. E por isso mesmo somos incapazes de fazer decisões, porque não sabemos o que queremos, o que somos, e isso porque podemos ser qualquer coisa que quisermos - diferente dos nossos pais, que nessa idade estavam construindo casas e famílias.

Já me passou pela cabeça: cursar Direito, pós em Sociologia, colocar silicone e malhar loucamente, fazer curso de teatro, cinema, barista, cavaquinho, fotografia, ser voluntária na Tailândia, escrever um livro sobre Cuba, morar Londres, ou virar pescadora em Canoa Quebrada. Eu posso ser tanta coisa, que fica difícil escolher qual desses caminhos me trará a tal satisfação que busco.

Essa crise é custosa, faz a gente gastar em cursos inúteis, manter a pose no sábado a noite, e não ficar em casa jamais, afinal, estamos na contagem regressiva para os 30/40 (eu tenho a lista de coisas a fazer antes dos 30) e não seremos jovens novamente. Logo, é preciso "have fun a lot". Isso explica os sucessivos "datings" vazios, sem expectativas e compromissos. Em um momento único de igualdade sexual, os rapazes não enxergam vantagem em se prender a uma garota. Eles conseguem sexo sem muito esforço com garotas interessantes, porque elas também querem aproveitar o momento. Além disso, vivemos um momento mais individualista, em que valoriza-se a liberdade, e fomos criados assistindo a casamentos frustrados e divórcios.

A crise dos vinte e poucos anos seria uma crise antecipada. Não há fracassos nessa idade, o tempo está a nosso favor, mas já não há aquela certeza de que "daremos certo", e pior, não há mapas - mesmo que eu leia livros de auto ajuda, Você S/A, ou Gloss.

Sábado, Maio 02, 2009

É do Brasiiill

Sei que ontem, foi dia de relembrar o ídolo Ayrton Senna (ídolo e não herói, q esse termo me irrita muito), mas o título do post é para falar de um outro ídolo, também brasileiro e de fama internacional: Vik Muniz.

A exposição no Masp (tão bom ver o Masp recebendo boa exposição novamente), me surpreendeu muito. Já sabia que o Vik era genial apenas por inovar e fazer arte com materiais inusitados, mas é bem mais que isso. Rolou uma forte queda de queixo em cada parede pela qual eu passava, e um suspiro: Genial!

Não é só o material inusitado, mas o efeito, a forma de representar algo, o olhar dele sobre o que está representando, a discussão que ele gera sobre os signos, tudo é incrível. Enfim, não há palavras para descrever. Corra para o Masp e orgulhe-se de ter a mesma nacionalidade desse cara, que permite à arte fazer as pazes com o público.





Serviço: de 24 de abril a 12 de julho - No Museu de Arte de São Paulo - MASP
Horário: de terça à domingo e feriados, das 11h às 18h; às quintas, das 11h às 20h.
Ingressos: R$ 15,00 (inteira); R$ 7,00 (estudantes e aposentados); menores de 10 anos e maiores de 60 anos: gratuito. Às terças-feiras a entrada é gratuita.